Como o Fall Out Boy se tornou estrela do Jock Jams

*Jock Jams é uma série de coletâneas com canções que de alguma forma têm relação com os esportes americanos.

“Isso meio que faz sentido,” diz Pete Wentz sobre o novo caminho improvável do FOB. “Bo Jackson é como os Beatles.”

*Bo Jackson é um ex jogador de baseball e futebol americano

Pete Wentz raramente fica sem palavras, simplesmente olhe os títulos daquelas canções antigas do Fall Out Boy como prova disso. Mas, o pergunte sobre a ascensão improvável da banda até o topo das playlists de arenas ao redor do país, e ele se esforça para encontrar uma explicação.

“Não é um caminho muito previsível, com certeza. Se isso fosse um filme biográfico, não seria muito acreditável,” ele ri.”Os caras que usavam calças jeans de meninas e delineador, agora escrevem canções para times!”

Pode parecer difícil de acreditar, mas não há como negar que o Fall Out Boy se tornou a banda escolhida como trilha sonora de transmissões esportivas e hinos aprovados por estádios. Em 2013, o single de retorno da banda “My Songs Know What You Did in the Dark” apareceu em transmissões dos playoffs da NBA e da NHL, como apresentação dos pilotos em corridas da NASCAR, em montagens do Monday Night Football da NFL e comerciais de pós temporada da MLB. No ano passado, a faixa “Centuries” foi escolhida pela ESPN como tema para cobertura da temporada inaugural de playoffs do futebol americano universitário, e, como qualquer um que assistiu apenas um momento sequer dos jogos pode confirmar, a ESPN certamente fez o dinheiro investido valer a pena, colocando a música a um centímetro da vida do sample de Suzanne Vega.

Enquanto isso, o Fall Out Boy colheu os benefícios, ambas canções se tornaram obrigatórias em eventos esportivos ao redor do país e subiram até altos lugares na parada de singles Billboard Hot 100, e provou ser cumplice solícito, tocando no campeonato de enterradas da NBA, no All Star Game da NHL e no Pro Bowl da NFL. Há duas semanas, eles ainda subiram ao palco em Glendale, no Arizona, para tocar no show de aquecimento para o Super Bowl.

Em resumo, a relação entre a banda e o mundo dos esportes se tornou simbiótica, apesar de isso não tornar as coisas menos estranhas.

“Para ser sincero, se tornou meio estranho quando você está assistindo esportes e você escuta uma das suas músicas, ou meu pai falava coisas tipo, ‘Sim, tocaram sua música no jogo do Northwestern,’” diz Wentz. “mas você não pode ficar tocando músicas da década de 70 em estádios para sempre. Em algum momento, é preciso haver algo diferente.”

“Para uma banda como a nossa, quando estamos procurando o top 40 das rádios, essa estrada não existe. Há uma, talvez uma e meia outras bandas nas rádios pop, então, precisávamos encontrar outra forma de nos infiltrarmos,” ele continua. “Então, quando a ESPN fala tipo, ‘Vamos fazer os playoffs do futebol americano universitário,’ eu estou dentro. Queremos compor canções que possam ser tocadas em arenas e estádios porque assim nós podemos tocar nesses locais. E, é só por acaso que acontecem outras coisas nesses lugares, também. Tipo, esportes.”

A linha bem demarcada entre esportes e música, presente por muito tempo na década passada, vem desaparecendo. Apesar de que, provavelmente o Fall Out Boy foi a primeira banda de rock desde o Queen (ou Gary Glitter) a navegar nos dois mundos sem se esforçar. Ao contrário de outros hinos de estádios como Seven Nation Army do White Stripes, ouvir “Centuries”  na ESPN não parece ser um acidente.

“Por muito tempo, pareceu que havia um grande buraco para bandas de rock nesse cenário de esportes; Mas, sinceramente, meio que faz sentido para nós,” diz Wentz. “Havia uma época em que esportes e música estavam separados, mas, com a internet, isso acabou. Agora, eu olho para alguém como Michael Jordan e o vejo como um artista. Bo Jackson é tipo os Beatles, sabe? Tanta coisa brilhante em um periodo tão curto de tempo.”

“Eu sou o cara que, a vida inteira, não sabia nada sobre esportes. Mas, eu aprendi mais sobre eles nos últimos seis anos do que no resto da minha vida,” acrescenta o vocalista Patrick Stump. “Há algo em comum nisso. Quando você entra em uma sala e fala sobre politica, alguém vai ficar irritado. Se você tentar falar sobre religião, as pessoas vão ficar irritadas. Mas, se você fala sobre esportes ou música, as pessoas irão discordar, mas de uma forma harmoniosa.”

Mas, isso não significa que o FOB se tornou fã de esportes, Wentz e o baterista Andy Hurley estão comprometidos com a causa (Hurley, fanático pelo Packers, torceu agressivamente contra o Seattle Seahawks no Super Bowl) enquanto que Stump e o guitarrista Joe Trohman continuam, como Stump diz, “no time que não presta atenção.”

Mas, eles são espertos o suficiente para perceber que eles esbarraram em uma fórmula vencedora, então, não fique surpreso se você escutou o Fall Out Boy em algum momento durante a transmissão do Super Bowl.

Para usar um cliché de esportes, eles estão com tudo atualmente, e daqui, as possibilidades são infinitas.

“Eu acho que o novo álbum representa onde nós queremos estar, mas ele também representa que nós entendemos que, se você quer ser parte da arte pop, você precisa trabalhar por isso,” diz Wentz.” “Então, estamos pensando em ser trilha sonora de ciclistas da próxima vez.”

Tradução do artigo do site rollingstone.com

Aline Delarmelina

About Aline Delarmelina

Fã de Fall Out Boy desde que caiu de amores pelo Folie A Deux por obra do destino. Apaixonada por música, Inglês, livros e pela natureza. Carrega a Biologia no coração mas é professora de Inglês pelas reviravoltas da vida. Parte do Fall Out Boy Brasil desde o início de 2014.

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