Fall Out Boy não tem evitado riscos

Desde que voltaram do hiato, o Fall Out Boy não tem evitado riscos. Dominando as rádios de rock, eles reinam novamente.

Os últimos quatorze anos têm sido um passeio e tanto para o Fall Out Boy. Do início humilde em Chicago até assegurarem um legado musical como um dos maiores e melhores grupos de rock. A última década viu muitos obstáculos serem arremessados na direção da banda mas, de alguma forma, eles sempre voltaram ainda mais fortes.

2015 foi ainda mais prova de que não há como pará-los.  No início do ano passado eles revelaram o sexto álbum, “American Beauty/American Psycho” sem muito alarde prévio, e foi um dos momentos mais brilhantes dos loucos cientistas do pop. Além disso, o álbum deu uma dose vital de adrenalina direto no coração do cenário do rock, o qual a banda passou muito tempo chamando de lar. Sem medo de deixar a cautela de lado e mudar de direção, foi a mentalidade com a qual eles abordaram o álbum mais recente que o vocalista Patrick Stump acha que lhes deu a habilidade de se manterem constantemente relevantes.

“Eu nunca vou tentar adivinhar por que isso aconteceu com a gente, mas é estranho,” o vocalista diz, rindo, antes do show na Wembley Arena, em Londres. “Não é a regra,” ele admite. “Com certeza não é o que eu esperava e não é como as coisas geralmente acontecem. É muito estranho.”

“Nós não nos demos tempo para respirar,” ele segue, explicando o plano da banda sobre fazer o álbum mais recente. O álbum foi encaixado entre turnês e tempo livre enquanto eles estavam na estrada fazendo shows do álbum de retorno “Save Rock and Roll”. “Por causa disso, nós não tivemos muito tempo para ficar se estressando. Eu acho que, na prática, foi algo muito esperto. Quando você coloca em perspectiva, nós desaparecemos por três anos. Voltamos e fizemos o “Save Rock and Roll”, e queríamos fazer algo com o qual as pessoas tivessem uma conexão, e que fosse importante para nós enquanto seguíamos em frente, não simplesmente um ‘é, nós éramos a banda que nós gostávamos de ser.’ A gente realmente não queria isso.

“Aquele álbum foi muito além dessas expectativas e, de alguma forma, nos refez, o que é insano. O benefício de rever o que já havíamos feito e de ter que lidar com a chamada ‘maldição da segunda tentativa’ tantas vezes – praticamente todos os álbuns que lançamos foram uma maldição da segunda tentativa!- é que nós embarcamos nisso pensando, ‘dane-se, não há nada que se pode fazer, não há como ficar obcecado com isso e descobrir a resposta certa, então vamos simplesmente levar isso em frente e fazer o que estivermos a fim de fazer.’ Fizemos algo com o qual nos sentíamos bem e que parecia certo e, na verdade, fizemos o álbum em pouco tempo de propósito. Por causa disso – a conversa sobre o mainstream e tudo mais- eu acho que, para mim, isso foi um acidente feliz. Eu acho que o Pete tem noção dessas coisas, ele está muito ligado com o que está acontecendo e ele entende isso em um certo nível. O álbum parece ser algo muito atual.”

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“A tentativa foi…” diz o baixista Pete Wentz sobre os aspectos experimentais do álbum.  “Rappers e DJs conseguem responder de forma direta a cultura pop. Uma das coisas sobre ser uma banda de rock é que você precisa sair do mundo pop por uns 2 anos para conseguir entender. Foi uma experiência para ver se conseguiríamos simplesmente fazer um álbum em resposta a cultura pop de forma imediata. Gravamos em quartos de hotel e em camarins de festivais, em quartos e em estúdios, foi tudo muito fragmentado e depois colocado junto, mas de uma certa forma, acho que é um sucesso.”

Como sempre, a banda não tem medo de desnortear os limites de gêneros musicais diferentes; isso é algo que corre nas veias de “American Beauty/American Psycho”. Enquanto adulteram a estrutura tradicional de uma banda de rock, o quarteto muitas vezes se encontrou na procura de outros gêneros como inspiração. Agora não é diferente, e é algo que ainda está constantemente abrindo novas portas para eles.

“Sabe, me perguntaram um dia desses,” Stump se lembra, “e eu achei muito engraçado por que, novamente, é muito difícil imaginar que alguém esteja nos ouvindo agora. Eu sinto que, definitivamente para mim, é muito difícil imaginar que alguém está nos ouvindo pela primeira vez. Você pensa que, se fossem nos escutar, provavelmente já teriam feito isso antes. Mas não, todo dia, há alguém pensando ‘uau, isso é uma coisa nova.’ Um fã me perguntou, ‘então, de onde vocês tiraram aquele sample do Jay Z? De que álbum esse sample é?” Ele faz referência a introdução que Jay Z faz na faixa “Thriller”, a primeira do álbum “Infinity on High”. “E eu tipo, ‘não, o Jay Z participou do nosso álbum! Foi um grande acontecimento na época.’” “Ele diz ‘Fall Out Boy’!”, o baterista Andy Hurley diz, rindo. “Eu sinto que, em algum nível, se você está ouvindo Fall Out Boy agora e você pensa, ‘ah, eles foram para o lado do pop’, é tipo, ‘você realmente já escutava a gente?! Nós sempre aceitamos muito a música pop, nosso primeiro álbum é incrivelmente pop, mas é muito distorcido!”

Esse flerte com os gêneros musicais –quer seja bem pop ou momentos de hip hop que eles incluíram ao longo da trajetória- é algo que, na opinião de Pete, está os ajudando mais do que nunca atualmente. “Eu sinto que, agora, o Fall Out Boy prospera em um ambiente como esses, por que pessoas escutam canções e não artistas. Nós fazemos álbuns que são a espinha dorsal do nosso trabalho, mas também diversificamos as inspirações. Sempre foi muito difícil apontar com precisão o nosso gênero musical. Eu sinto que, atualmente, as pessoas escutam música em um nível muito menos ligado aos gêneros musicais. Se alguém escuta Drake e escuta Fall Out Boy, ele pode depois escutar uma música do Skrillex.”

Mesmo apenas algumas semanas após os shows no Reino Unido, a banda conseguiu superar as expectativas novamente refazendo o álbum e lançando o “Make America Psycho Again”, no qual a banda convida um rapper diferente para participar e fazer um remix de cada uma das onze faixas do álbum “American Beauty/American Psycho”. No entanto, o que está preparado para o futuro da banda, continua sendo um segredo. “Eu acho que, do jeito que o mundo consume arte atualmente,” Pete insinua, mas sem revelar os planos futuros, “podemos fazer qualquer coisa. Como com a Young Blood Chronicles, mas algo nada parecido com isso.” Ficando de boca fechada sobre os próximos planos, o Fall Out Boy se mantém como banda que sempre sabe como surpreender, desorientar e impressionar, é nisso que está o poder do legado deles.

Tradução do artigo do site upsetmagazine.com

Aline Delarmelina

About Aline Delarmelina

Fã de Fall Out Boy desde que caiu de amores pelo Folie A Deux por obra do destino. Apaixonada por música, Inglês, livros e pela natureza. Carrega a Biologia no coração mas é professora de Inglês pelas reviravoltas da vida. Parte do Fall Out Boy Brasil desde o início de 2014.

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