Fall Out Boy: review de American Beauty/American Psycho pela FDRMX

Dois anos atrás, o retorno dos reis da cena – o Fall Out Boy – foi realmente um grande, grande negócio. Durante seu hiato, nossa comunidade recorreu a um segundo olhar e de repente se deu conta de que a resposta inicialmente bagunçada sobre o último álbum da banda – Folie à Deux – foi inédita ao representar um salto no estrelato pop-cêntrico para a banda, com eles ainda permanecendo os vira-latas favoritos de todo mundo. Também se tornou, sem dúvida, o trabalho mais forte do Fall Out Boy até aquele momento.

Mas pessoas mudam com o passar do tempo, assim como suas preferências e imagem. Isso ficou absurdamente claro quando seu primeiro single de retorno “My Songs Know What You Did in the Dark (Light ‘Em Up)” dominou o top 40 da rádio, acompanhado pelo clipe que contou com a participação do rapper 2 Chainz literalmente queimando as memórias, cercando o início pop-punk do Fall Out Boy de dez anos atrás, em Take This to Your Grave. O primeiro álbum da banda em cinco anos – Save Rock and Roll – foi um sucesso de crítica e de vendas, apesar dos fãs estarem muito mais divididos sobre a nova direção da banda já que o álbum teve uma enorme quantidade de hits com sintetizadores pesados prontos para agradar a rádio, e convidados incomuns (incluindo Big Sean e Courtney Love).

No fim das contas, essa é a chave do sucesso de American Beauty/American Psycho. Menos de dois anos após SRAR, a banda lançou vários singles repentinamente e gravou um álbum em menos de um mês sem muita publicidade ou reconhecimento do público. Enquanto uma música como “Centuries” soa atípica na sequência de SRAR, a maior parte de AB/AP tem mais pegada que o resto do catálogo da banda inteiro junto, e é essencialmente um avanço em relação ao predecessor em quase todas as formas. Foram-se os preenchimentos vazios, as participações especiais e letras desbotadas – em seus lugares, onze músicas de rock influenciadas pelo eletrônico que provam ser uma mudança no caminhar para a banda, seus fãs e o rádio mainstream.

Deixando de lado as similaridades entre os singles “Centuries” e “Immortals”, AB/AP é de uma complexidade que pode ser tudo, menos chata. “Irresistible” é provavelmente uma das aberturas mais fracas da banda, mas ajeita a vibe para o que está por vir. A faixa-título é tão divisora quanto seu nome, assumindo um punhado de riscos sônicos mas em última instância tornando-se uma excêntrica e muito enérgica canção cante-comigo e uma escolha ousada para a posição de segunda música. O álbum é surpreendentemente dançante; para provar, basta ouvir “Umma Thurman”. Eu não estragarei a surpresa, mas esse tributo surf-rock a Quentin Tarantino é muito possivelmente  o maior momento do álbum para se abrir um sorriso, tanto para os fãs velhos quanto os novos.

Em outros momentos, o álbum é muito mais emotivo; na influenciada por soul/balada “The Kids Aren’t Alright”, o vocalista Patrick Stump canta sobre “Former heroes who quit too late / Who just wanna fill up the trophy case again” [ex-heróis que desistiram muito cedo/que só querem preencher a estante de troféus novamente]. Como sempre, o vocal de Stump é potente, distante de seus dias de “Sugar, We’re Going Down” e provando que ele é um dos melhores vocalistas nas rádios, atualmente. Isso talvez seja mais notável através das faixas “Jet Pack Blues” e “Fourth of July”, que incluem ímpetos musicais que são tão fortes quanto a voz de Stump (entregando linhas clássicas como “You and I were fireworks that went off too soon” [você e eu éramos como fogos de artifício que cessaram muito cedo”]). Tudo que faltou em SRAR é colocado frontal e centralmente aqui; a bateria está efervescente, guitarras e baixos empolgando e acima de tudo isso a produção não está nada menos que espetacular. A banda nunca soou mais unida.

No fim das contas, é a habilidade de AB/AP de ser inesquecível que verdadeiramente os lança para a estratosfera. Digam o que quiserem sobre a direção da banda; nenhuma dessas músicas age como mero preenchimento de espaço na mesma vibe de “Where Did the Party Go?”, deixada para trás com uma porção de outras músicas do catálogo anterior da banda.  AB/AP soa como o melhor compromisso entre os dois ideais originalmente alardeado por toda parte em Infinity on High e Folie à Deux: toda música é “pop” o suficiente para ser tocada no Top 40, mas também tem limites o bastante para capturar os fãs antigos (ou ao menos os que não estão ainda congelados, abraçando um vinil de Taking Back Sunday). Essa lealdade tanto a eles mesmos quanto aos seus fãs é melhor representada pelo fechamento do álbum, “Twin Skeletons (Hotel in NYC)”. A música soa como uma carta de amor aos obstinados, sinistra na tonalidade com algumas harmonias inegavelmente e absolutamente contendo mais elementos “punk” do que tudo que a banda escreveu desde 2007. Se você quer dar uma chance a alguma música desse álbum, dê a essa.

E então parece que o Fall Out Boy faz um retorno importante mais uma vez. Enquanto Save Rock and Roll mais do que nunca relançou a banda e a pôs no mercado voltado ao mainstream, American Beauty/American Psycho solidifica o lugar da banda entre seus contemporâneos como uma das mais ousadas e originais histórias de sucesso na memória recente. Eles sempre disseram que aqueles que acreditam nunca morrem: ponto para os vira-latas.

 

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Marina Menezes

About Marina Menezes

Fã inveterada de Fall Out Boy desde que se lembra, chorou como uma criança quando soube do fim do hiato da banda. No seu tempo livre, banca a escritora amadora, lê muitos livros, sai por aí com seus fones de ouvido e sonha acordada.

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